terça-feira, 18 de outubro de 2016

Quando estamos a cortejar uma rapariga....

Essa história que vou contar agora passou-se com um amigo nosso e até hoje, quando nos encontrámos, depois de muita risota, ele prefere mudar de assunto, pois ainda se lembra do constrangimento do momento.
Andava esse rapaz a cortejar uma rapariga. Encontravam-se por acaso, todos os dias, na hora do almoço. Ele, de moto, ela a pé a atravessar a rua. Os olhares, um do outro, já era motivo de haver comentários entre os colegas do serviço:
- Então, hoje viste a rapariga? E que tal? Qual a fatiota? 
E de pergunta em pergunta, os colegas não se calavam e o protagonista, entre tantas perguntas, a umas respondia, a outras desprezava rindo-se, com aquele olhar de quem está mesmo apanhadinho pelo coração.
Dia após dia, lá íamos nós a saber as notícias e as novidades. E o romance parecia tomar corpo. Ele inclinava a moto e apoiava o pé no passeio, já a espera de a ver desfilar na passadeira, já que a avenida onde se encontravam era bem larga e o tempo em que os sinais fechavam eram preciosos minutos de pura paixão e encantamento, até que um dia, aconteceu um desastre. 
Sim, quando ele contou-nos, caímos na risada e até hoje ainda é motivo de boas gargalhadas e comentários. Vale dar o detalhe de que o rapaz que estou a relatar o acontecido, morava sózinho e para economizar, sempre levava na parte de trás da moto, a sua lancheira, ou marmita, como queiram, bem abraçadinha a um elástico preto e largo. Era hábito isso acontecer e nunca tivera problemas com isso, até esse dia em que, na habitual troca de olhares a tal rapariga, ao inclinar a moto, não se sabe bem porque, a tal marmita escorregou e caiu no chão, abriu-se a tampa e voou de lá, algumas batatas cozidas, atum e um belo ovo cozido, ainda inteiro e bem escorregadio....
Ele, não sabia onde se escondia, de vergonha, porque ninguém mais, nem ninguém menos viu, a tal cena triste, que não, a rapariga por quem estava completamente enamorado.
Ela, não disfarçou e ajudou a festa dando um toque com a ponta dos sapatos pretos de verniz, no coitado do ovo cozido, como que criticando a cena.
Foi ali que acabou o romance, ele, envergonhado, mudou de trajeto e entre nós, foi e ainda é motivo de grande diversão. Grande azar, teve ele. E nós sempre ficamos curiosos a pensar, se aquele romance, não fosse o tal ovo cozido, teria pernas para andar. Mas, não tenham dó do rapaz, isso já foi a uns bons anos atrás, ele já se encantou por outros olhos e já está casado e com um bebé a caminho. Mas, até hoje, não posso me lembrar de tal fato, que ainda é motivo de nos divertir imenso com muita risota a mistura.
Espero que tenham gostado.
Beijinhos....

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