sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Amigos? Sim, amigos!

O meu avô era um contador de histórias nato. Tinha graça nas coisas que relatava, prendia as pessoas com as suas histórias verídicas e mostrava ser uma pessoa impulsiva, fazia o que achava, no momento, sem grandes  planeamentos, sem o deixar para depois. Assim, havia coisas que ele nos contava, que como criança, sempre acabávamos em gargalhadas tão, tão boas, mas depois de crescida, não conseguia imaginar essas atitudes no mundo de hoje. Mas vamos lá a essa história que ele nos contou:
o meu avô era açoriano e muito conhecido ali no seu lugarejo, todos se entre ajudavam e pedir ajuda era a coisa mais natural do mundo. Um dia, um amigo disse que a sua esposa tinha passado mal a noite toda, com dores num dente, da frente e qual foi o meu espanto, quando o meu avô numa tentativa de ajudar a senhora e o seu respectivo marido, deu como que um soco na boca da senhora e o dente saltou... não sei o que foi pior, se o meu avô dar o tal soco ou se o marido voltar para agradecer ao meu avô por tal fato. Enfim, coisa de amigos, numa cidade pequena. 
Porém, passado alguns anos, esse senhor emigrou para os Estados Unidos e uma cunhado do meu avô também e os meus avós iam com frequência, visitar a irmã da minha avó e numa dessas viagens, esse tal senhor deu uma prenda ao meu avô, muito bem embrulhadinha e pesada, porém havia um detalhe: ele não poderia abrir a prenda nem dentro do avião, só quando chegasse a casa. Tudo combinado, o meu avô foi fiel ao pedido, mas depois contou-nos ele que, ficou curioso por saber o que aquele grande amigo teria lhe oferecido, mas com a azáfama das viagens, malas, papeis, a curiosidade foi adormecida.
No entanto, depois de tantas voltas, o meu avô cansado, chega a casa e ao desfazer as malas, entregar prendas, lá se defronta com a tal prenda, muito bem embrulhada com um cartão de dedicatória e tudo e quando o meu avô na ansiedade do momento, desembrulha, apercebe-se que trouxe dos Estados Unidos, para o Brasil, um tijolo.
Palavras para quê? Coisa de amigos, certo? Ou então, nunca ficámos a saber ao certo, se o tal senhor não estaria só a vingar-se do tal soco certeiro que acabou com as dores da sua senhora....
Não sei, mas que teve graça a originalidade, lá isso teve...

Beijinhos...

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